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  • Anna Rita S.

A intervenção (Temer)osa

Atualizado: 4 de Fev de 2019



Por conta da crise de segurança pública no estado do Rio de Janeiro, o presidente Michel Temer decretou nesta sexta-feira (16) uma intervenção federal com objetivo de conter a violência no estado, previsto até o dia 31 de dezembro de 2018. Expediente este, nunca usado desde a criação da Constituição de 1988. A mesma constituição que diz que a segurança pública é um direito de todos os cidadãos e que não é função das Forças Armadas se responsabilizar por isso, e quando isso acontece, passa a ser um caso extemporâneo.


Essa declaração de forma alguma enfrenta os problemas que originam a criminalidade e a crise que eles querem combater, principalmente no caso do Rio de Janeiro. Intervenções parecidas envolvendo as Forças Armadas como no Complexo da Maré que chegaram a custar 600 milhões de reais (que poderiam ter sido investidos em políticas sociais nessa mesma comunidade) colheram resultados frustrantes, como na missão de “Garantia da Lei e da Ordem” dando apoio à polícia militar em operações de combate ao tráfico de drogas e o roubo de cargas que ano passado bateram o recorde chegando a 11 mil casos, mesmo com a atuação do exército.


O papel do governo do Rio de Janeiro diante dessa crise é zero, porque na verdade ele é inexistente. Não existe um governo dentro do estado. O que existe é um descontrole generalizado pedindo socorro há um governo federal completamente impopular que não sabe fazer outra coisa além de tomar uma mesma medida pra solucionar um problema bem mais profundo e complexo, que só cresceu por causa da incompetência do mesmo.


Medidas como essas só penalizam mais a população. Eles querem priorizar o controle de um espaço pra preservar a violação de direitos que a gente está acostumado a ver sempre com um discurso bem ala Bush de guerra às drogas, que quer dizer na nossa língua, guerra aos pobres, fazendo da favela que já vive em zona de guerra constante, um espaço ainda mais sensível e tóxico para os moradores. E se você desconhece essa realidade e as taxas de pessoas afetadas por ela, eu te sugiro assistir a 13ª Emenda na Netflix, um documentário muito completo que explica esse processo. Não rola isso de política de segurança. A fita está por trás de uma tentativa de controle territorial através de uma violência ostensiva e pesada do Estado em cima da população pobre.


Pra enfrentar isso, primeiro é preciso que exista um governo e um projeto de segurança pública que considere todas as questões estruturais da crise que existe hoje no Rio de Janeiro. Uma reorganização policial, uma reforma constitucional que resolva o problema da falta de coordenação e da corrupção que atua dentro dessas instituições responsáveis por essa segurança, sem penalizar a população que (sobre)vive dentro das comunidades ocupadas, tratando de forma inteligente, objetiva e com estratégias efetivas.


A consequência desse decreto feito pelo vampirinho é que vamos vivenciar complexos cada vez mais atingidos pela violência, com um Estado cagando para os fatores responsáveis pelo aumento dessa violência internamente e externamente ( que é a escassez de financiamento dos setores educacionais e de saúde) (porque nós não somos eles, e é preciso dividir o impacto do crime em cada classe) e sem outra vez cumprir seu papel. Aulas de administração de como não gerenciar qualquer coisa.


Fontes:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/16/politica/1518803598_360807.html

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/forcas-armadas-ja-atuaram-na-seguranca-do-rj-em-outras-situacoes-veja-quais.ghtml

https://www.cartacapital.com.br/politica/o-que-e-uma-intervencao-federal-entenda



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