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  • Anna Rita S.

Falatubranco e a perseguição contra a validade mental preta.

Esse artigo não é sobre como os sons de um pseudo analista artístico são ruins. Eu tenho mais o que fazer.


The Minstrel Show, programa de comédia feito por pessoas brancas que praticavam black face, e reforçavam esteriótipos Jim Crow do negro engraçado, caricato e preguiçoso.

Sei que insisto bastante na Teoria Jim Crow em como corpos negros são vistos e assimilados principalmente no meio artístico. Em como a banalização desses corpos trouxe junto à banalização da verdade que essas pessoas trazem consigo em locais onde é necessário se fazer o uso dela, como no meio de um enquadro, no tribunal, no trabalho, ou até em uma roda de discussão junto a amigos brancos que não acham que o racismo é tão presente assim no mundo e quando acham e vão abordar alguma pauta, ganham todos os holofotes silenciando a voz preta ali presente.



Maria Vanúbia, protagonizou vários "barracos" em novela Global, Salve Jorge e é um exemplo cru do fortalecimento da ideia da mulher negra traída e desequilibrada que o meio midiático vende.

É comum que taxem mulheres pretas que reivindicam seu espaço e se veem merecedoras de amor ou adoração, como barraqueiras e sedentas por atenção, e já com os homens pretos é decorrente que eles sejam vistos como loucos, até porque é muito mais fácil se posicionar a favor de um problema que a branquitude causa, do que se importar com a saúde mental de uma vida negra.


Pessoas que foram jogadas e encurraladas em navios de tráfico humano, e mantidas ali por meses para servir de mercadoria em um país desconhecido, cometiam suicídio por não conseguirem externar o desespero de outra maneira. Esse foi o maior crime que o Brasil já esteve envolvido em toda a sua historia enquanto nação, e é interessante vermos como um crime dessa magnitude está intimamente ligado a nossa saúde, e ao descaso que a sociedade, o Estado, e a cena artística têm com ela.



The Birth of Nation , 1915

Toda essa configuração vem do que foi ensinado em filmes como “The Birth of Nation” que retrata por mais de três horas, a figura negra de forma animalesca, um bicho irracional e reforça principalmente o estereótipo Jim Crow que mais tarde foi nome para leis responsáveis pelo gerenciamento/aniquilação dessa figura, e também acentuada nas novelas em periferias, no discurso do atual presidente, e na fala dos trappers brancos que gostam de dizer bosta entre os grillz, em prol do “game.”.


É dessa configuração que surge a perseguição contra pessoas pretas relevantes ou não, que precisam ter o triplo de cautela para não serem derrubadas pelos ataques, já que eles sempre vão existir por no fuckin reason. Principalmente depois que gêneros marginalizados como rap e o trap alcançaram o condomínio das dondocas que não sabem escutar nada além de Henrique e Juliano e cantam nas festinhas que quem manda é a 30.


É incômodo pra quem está contra a comunidade, a ascensão da mesma e foi só por isso que o Raffa Moreira foi de novo silenciado, ontem, por expor a grande corja que envolve a maioria dos artistas brancos que tiram dinheiro do rap. Mas esse é um debate até meio passado, porque de uma hora pra outra surge uma onda de amnésia nas pessoas que esqueceram que o rap é preto, as mesmas que gostam de usar do argumento da raça humana, da falsa democracia racial brasileira, da vontade forjada de paz integracionista entre todos e pior, são ouvidas e ovacionadas enquanto a comunidade sofre diante de insultos a respeito da sua sanidade, e que estão efetivamente acabando com ela.



Arte por Konbini, influencer que viralizou depois de abordar a depressão dentro da comunidade preta.

Isso acontece todos os dias, com artistas de todos os setores, com o único garoto preto na turma de amigos no rolê que é observado sempre que alguma coisa some e ainda precisa engolir racismos goela abaixo e sem água até porque, está entre “amigos” não é mesmo? Também acontece com a preta que se reprime todos os dias por achar que seus questionamentos em torno da afetividade são só parte de um surto psicótico e ela não quer ser vista como escandalosa.


O fato é que perseguir a credibilidade da palavra de uma vida preta, é engatilhar a arma responsável pelo fim dela, é tornar mais uma vez, além de tudo o que já acontece, a saúde mental desse ser humano, descartável, e isso só vai acabar quando pararem de naturalizar a morte dessa comunidade, de julgar problemas mentais causados por quem julga e quando nós formos finalmente ouvidos.


Guilherme,

Pare de pedir pra cena catar um homem negro na porrada e tempos depois quando viu ele tomando espaços que você não alcançou, dizer que sempre quis ver todo mundo fazendo dinheiro . O hip-hop não é sobre meritocracia e igualdade racial, e caso essa utopia fosse real o movimento não seria necessário. Por mais, te desejo sucesso e que um dia você não precise mais migrar seus inscritos do seu canal de react para ter views em uma música. Talvez tornar ela um pouco melhor ajude. Boa sorte.


grana.

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