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  • Anna Rita S.

Mais um dia 8 de março, e seguimos morrendo.

Atualizado: 4 de Fev de 2019



E de cada 13 mulheres vitimas do feminicídio em 2013, sete eram negras.


Ser mulher enfatiza uma condição reproduzida e perpetuada pela sociedade diariamente. A violência física só nasce através da violência psicológica que é naturalizada no convívio das relações afetivas e na educação familiar, e não o contrário.


Mulheres que permanecem com seus agressores sem denunciá-los não estão reproduzindo o machismo sofrido porque na realidade esse ciclo de violência é bem mais frágil e estreito que a gente imagina. Principalmente se tratando das mulheres pretas de periferia, que muita das vezes tem o seu agressor como sua fonte de renda, o pai da suas crianças, que explora alguns desses fatos criando ameaças, tornando essas mesmas mulheres vitimas da misoginia de um sistema que tira sua mobilidade, sua autonomia jurídica e caminha para seu assassinato.


A violência doméstica e familiar contra as mulheres disparam taxas por todo o mundo e atinge a cada ano mais mulheres de diversas idades e classes, sempre afetando de forma mais contundente, negras periféricas.


No Brasil estimou-se há oito anos que duas mulheres foram espancadas por minuto e o parceiro, marido, namorado ou ex, foi responsável por mais de 80% dos casos reportados. Em 10 anos ocorreram mais de 50 mil no país.


Segundo relatos ao serviço Ligue 180 no 1º semestre de 2016, em 39,34% dos casos a violência ocorreu diariamente; e em 32,76%, semanalmente. Isso significa que em 71,10% dos casos, a violência ocorreu com uma frequência extremamente alta. Do total de relatos, 51,06% referem-se a agressões físicas e 31,10%, à violência psicológica. Em 39,34%, a violência ocorreu diariamente, e em 32,76%, a frequência foi semanal.


O machismo nas outras instituições dificulta também o acesso de muitas delas aos centros de apoio e abrigo de mulheres vitimas da violência familiar e doméstica que se viram obrigadas a saírem de suas casas como forma de sobrevivência. Havendo pouquíssimos centros como esse em São Paulo (apenas sete, onde a ocorrência dos casos possui taxas alarmantes). E precisamos lembrar: negar moradia a essas mulheres, também é uma forma de agressão.


Na justiça brasileira não é incomum que essas mulheres sofram e sejam desmotivadas a enfrentarem esse ciclo de maneira legal. Tatiane da Silva Santos permanece no presidio Madre Palletier, em Porto Alegre, acusada de omissão, por estar trabalhando quando seu marido matou seu filho caçula, o que não aconteceria em hipótese nenhuma caso fosse o contrário. Ana Raquel pediu proteção à Justiça oito vezes, contra o chefe que a violentava e não foi ouvida em nenhuma delas.


Alguns dias 8 de março vividos, e continuamos sendo estupradas, enganadas, espancadas, mutiladas, silenciadas e invisibilizadas pelos parceiros, familiares desconhecidos, e pelo estado. As organizações responsáveis pelo suporte a vítimas se veem enfraquecidas constantemente social e economicamente. É dever de o Estado garantir a segurança da mulher cis, trans, bissexual, lésbica, demandando da sociedade além de denunciar e promover essa campanha anti-violência fiscalizar também um controle social dos veículos de assistência a essas mulheres, divulgando os direitos e serviços pra que a todo momento tenhamos certeza do que é nosso e de que forma podemos ser amparadas.


Fontes:

http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/violencias/violencia-domestica-e-familiar-contra-as-mulheres/

https://www.geledes.org.br/justica-machista-brasileiras-sao-condenadas-pelo-crime-e-pelo-genero/

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