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  • Anna Rita S.

O verdadeiro Rick Ross não é rapper . (PARTE 1)

Atualizado: 4 de Fev de 2019


Estudar a história de Freeway Rick Ross é uma relação de fascínio. Primeiro porque antes de um documentário na Netflix eu não fazia ideia de quem se tratava e da importância dele pra gente entender o processo de infiltração da cocaína nos EUA, inclusive com a participação da CIA e dos principais governos responsáveis pela era das guerras contra as drogas, que quadriplicou o numero de comunidades afro-americanas e latinas defasadas pelo sistema carcerário.

Se Rick Ross não é o Chefe Gordo dos E.U. A quem é ele?


Rick Ross McGray, conhecido na rua como Freeway Rick nasceu em 1963, no Texas, e ainda bebê se mudou com sua família pro sul de Los Angeles. Nem preciso citar que ele era pobre e sua mãe precisava de uns dois empregos pra livrar ele e seus irmãos da fome, porque na real, essa é a realidade padrão de um preto periférico, principalmente nesse período.


Mas ele sempre citou o tênis como uma válvula de escape e uma ferramenta capaz de afastar ele da criminalidade que crescia todo dia na sua quebrada. Até porque sendo atleta ele não frequentava os mesmos roles dos irmãos que tiveram contato precoce com as gangues. E ele só foi ser iniciado no crime depois que a faculdade recusou a bolsa de estudos dele pelo esporte, porque ele não sabia escrever o próprio nome.


Em entrevista a VICE, ele explicou como foi natural sua relação com o tráfico, sendo um problema generalizado aonde ele vivia, mas ainda muito recente.


“Quando você começa a ficar em volta disso você se torna imune, e não te incomoda mais. Quando eu jogava tênis e meu irmão fumava maconha eu pensava “Mano você é louco”! mas quando você começa a conviver com isso todos os dias você pensa“ Cara não é tão ruim”.


Então ele começou a fazer pequenos furtos e assaltos, e um dia um amigo entregou a Rick um saquinho que valia 300 dólares, e segundo o mesmo se tornaria tão famoso quanto o pão de forma. Começaram a vender cocaína, no inicio da década de 80.


O pó

Então pra gente entender como a cocaína chegou na mão dele e como ela se tornou epidêmica, precisamos saber um pouquinho do que estava acontecendo nos conflitos internacionais que o país estava metido, como na Revolução Sandinista que rolou em Nicarágua aonde os Estados Unidos passou a apoiar e financiar um frota chamada os Contras que tinham o objetivo de patrulhar as costas nicaranguenses. Só que esse financiamento agravou a crise econômica do país com uma inflação que atingiu 33.000% em 1988 e ai o governo do Reagan permitiu clandestinamente a entrada da cocaína no país pra suplementar essa dívida que existia devido a esse apoio.




O mesmo Reagan que carregou a ideologia de Jim Crow da guerra contra as drogas no país, causando a morte e a prisão de dezenas de milhares de jovens negros periféricos em menos de 10 anos. Na maior parte da década, um anel de drogas criados na Baía de São Francisco vendeu toneladas de cocaína para os Bloods e os Crips e canalizaram milhões em lucros de drogas para um braço dos Contras de Nicarágua, gerido pela Agência Central de Inteligência, a famosa CIA, meus amigos.


Isso serviu como um primeiro canal entre os carteis Colombianos que produziam a pasta base, e os bairros negros que vendiam e geravam lucro, alimentando as gangues com armamento, e alimentando consequentemente a guerra contra as drogas que o governo vendia e combatia ao mesmo tempo (?), e usavam caras como Rick que precisava colocar um dinheiro dentro de casa, pra fazer o trabalhinho sujo, de comunicar, se infiltrar nas comunidades, vender a droga sem que ele soubesse que estava trabalhando pros caras, e pra um especifico:



Danilo Blandon, que era um traficante nicaraguense que mantinha contato direto com a CIA e essa operação, e que tinha uma facilidade absurda pra passar a droga entre as fronteiras, porque obvio, o governo sabia o que ele estava fazendo e inclusive concordava que ele fizesse pra que esse dinheiro fosse convertido a verba para as frotas e “ajudasse” o país que vivia em guerra.


Danilo conhecia o tráfico e Rick conhecia as ruas, foi como um casamento perfeito e necessário para a continuação das operações. Rick havia acabado de fazer 20 anos, ganhava em dois anos de crime, cerca de 100.000 dólares por semana, e guardava o dinheiro em baixo de pilhas de roupa suja no seu armário.


“Começamos com 300 dólares em um saquinho. No inicio eu pensava: OK, eu vou juntar um pouco de dinheiro, comprar um carro e me pagar por umas aulas de tênis, então eu posso sair. Eu experimentei o sonho americano e quer saber de uma coisa? Eu gostei. Eu estava tão cego quanto eles. Não sabia que pra ter um carro caro, o filho de uma pessoa teria que passar fome.”



O verdadeiro Rick Ross não é rapper (PARTE 2) 29/03

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